domingo, julho 02, 2006

Dia de prova


- Ignaume, olhe para a sua prova senão eu vou ter que te dar zero.
- Ih professor, ninguém aqui sabe nada mesmo, que diferença faz?

Ignaume era uma menina menos atraente que seu nome. Uma pessoa sã teria pena da criatura que se envolvesse com a infeliz. Porém, a incapacidade de reconhecer a própria desgraça que a natureza lhe proporcionou era tragicamente engraçado. Vestia-se espalhafatosamente, andava com a postura de uma miss, acreditava realmente ser cobiçada por todos ao seu redor.

- Me dê a sua prova, você não sabe nada mesmo, vai tirar zero de qualquer forma, pelo menos vai pra casa meais cedo. Com sorte ainda pega o final da novela.

Ela entregou a prova e "desfilou" pela classe como uma "cheerleader". Disse que ia pra casa mas ficou no portão da escola conversando com algumas "criaturas das trevas".

No dia seguinte o namorado dela (que também era aluno) arrumou um rebú na escola. Alegava que o professor havia assediado a infeliz. Queria tomar satisfações. Numa mescla de incredulidade e indignação, a diretora, conhecendo a fama do casal (ele era um forrest gump de primeira!) e a integridade do professor, ignorou solenemente o protesto.

Tudo parecia ter se acalmado quando o professor recebeu na semana seguinte uma visita:

- Coé professor! beleza?
- E aí Augusto? como tão as coisas?
- Na paz, sempre na atividade...

Augusto era um ex-aluno. Bom aluno. Discreto. Todos sabiam que ele era o gerente do tráfico local mas ninguém se manifestava. Não havia porque.

- Fiquei sabendo que um cara tava querendo te pegar aí... mó vacilão, geral sabe que tu é parceiro, sangue bom.
- Não foi nada, o cara é ciumento, só isso.
- Qualquer parada, é só falar comigo, que tu sabe né? A gente resolve o "pobrema".
- O que é isso Augusto, deixa que tá tudo em paz.

Coincidência ou não, Ignaume não foi mais vista na escola. O namorado também não. As versões são muitas, a verdade ninguém sabe...